Especial Dia dos Pais – Pais lindocos da Literatura (ou não…)

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E aí, cerejinhas e cerejinhos! Nesta data, para fazer jus ao dia dos papais, voltamos com as nossas listas literárias dos que se destacam no pedaço; tanto pro bem quanto pro mal, vale lembrar. Antes de mais nada, como de costume, vão aqui votos de um dia maravilhoso àqueles meninos que se transformaram em homens para poderem guiar os pequeninos passos das suas proles. Que todo o amor que vocês ofereceram seja devolvido ao quadrado pelos seus filhotes, ok? E, é claro, como também já fiz no especial materno, vou aproveitar o espaço para mandar um beijo enorme pro meu pai, Jorge Martins, que sempre me apóia em tudo, até nas ideias livrescas e de maluca. Eu te amo, pai! Obrigada por tudo! Então, vamos lá?

1- Chris Gardner

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Vai um scanner aí? É pro leite da criança!

Escolhi o Chris como o primeiro por diversos motivos. Protagonista do filme À Procura da Felicidade, interpretado por Will Smith, o Senhor Gadner nada mais é do que o próprio autor do livro autobiográfico que levou a sua vida para as telonas. Pois é, o cara é foda e ele existe! Para quem não conhece a história, ela conta como Chris foi da pobreza à riqueza apenas com perseverança. Vendedor de scanners médicos que, pelo preço, ninguém queria comprar, o pai de família é abandonado pela esposa quando as finanças despencam, mas nem por isto desiste da guarda do seu filhinho de cinco anos. Mais tarde, após ganhar a oportunidade de um estágio não remunerado em uma grande corretora de ações, Gardner decide ir atrás do seu lugar ao sol; apesar de, por conta disso, ter de dormir com a criança em albergues, estações de metrô e até mesmo banheiros públicos… a penúria era plena. Ele é o típico homem que não desiste nunca por acreditar que, em uma probabilidade de apenas um para um milhão, ele é justamente o primeiro. É admirável a sua persistência e o seu desejo de progredir para cuidar do filho. Não tinha como ficar de fora.

 

2- Sirius Black e Joe Gargery

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Já dizia o ditado: em casa de ferreiro, todo o mundo leva pau. Não, pera…

Ambos “não progenitores” mais pais do que muito ascendente pelo sangue. Sirius Black é o padrinho de Harry Potter, o bruxo órfão que deixou milionária a sua autora J.K. Rowling. Ligado ao menino pelos laços de amizade que dedicava aos falecidos pais dele, Sirius se mostra uma figura amorosa e bastante presente, na medida do possível, na vida de Harry. A relação deles dois é muito bonita mesmo. Em um quadro similar, temos Joe Gargery, o cunhado do protagonista Pip em Grandes Esperanças, do escritor Charles Dickens. Também órfão dos dois pais, Pip é criado à base da violência pela sua irmã mais velha, mas tem a sorte de, na pessoa de Joe, ter encontrado um amor paterno completamente incondicional. Sem estudo ou qualquer lapidação oriunda de alguma educação, o ferreiro Gargery ama o seu menino com toda a pureza e simplicidade do mundo. Foi uma das personagens mais amáveis que eu já tive o prazer de ler.

 

3- Mr. Bennet e John Durbeyfield

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A sua filha vai de quentinha no ônibus pro baile do Naval? Hehehe… Tamo junto :(

Os dois têm origem nos clássicos ingleses. O primeiro, muito famoso na trama do livro Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, é um tanto paradoxal para mim. Em relação à protagonista Lizzie, ninguém consegue dizer que o Mr. Bennet não é um ótimo pai. Companheiro, compreensivo e de um respeito imensurável para com as decisões “prafrentistas” da sua filha mulher (logo, inferior e submissa naquela época), ele conquista a nossa simpatia sem esforços. No entanto, se analisado o seu relacionamento com as outras quatro filhas, especialmente Mary, Lydia e Kitty, considero-o um pouco distante e até mesmo negligente. Pode ser só impressão, mas muitas vezes me soou como se ele só se importasse de verdade com a Lizzie e talvez um pouquinho com a Jane. De resto, parecia exercer a sua paternidade somente em casos muito extremos para não “se aborrecer”. O segundo, pai da personagem principal que nomeou o livro Tess, de Thomas Hardy, é um homem que, apesar de ter um bom coração, leva a vida da sua filha mais velha à ruína pelo seu vício por álcool e a sua imaturidade quase patológica. Em nenhum momento ele cumpriu o seu papel de protetor da jovem Tess e seus irmãos mais novos; sempre precisava de muita ajuda e da piedade alheia.

 

4- Sr. Sempere

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Tenho um sebo e conheço uma livraria fodérrima subtarrânea… É, ganhei, digdin.

Ele não é nomeado no A Sombra do Vento, nem nas sequências da obra, mas eu o amo infinitamente. Ao criar o Sr. Sempere, o autor Carlos Ruiz Zafón foi magistral em nos passar a imagem de um pai perfeito. Viúvo desde que o filho tinha meros 2 anos, o papai do Daniel (o protagonista e narrador do livro) é um homem culto, amoroso e extremamente paciente. Poucas são as personagens masculinas que me passaram a paz que ele transmite, apesar de toda a sua melancolia. Sem contar a livraria/sebo Sempere e Filhos, que ele herdou do pai, o Sr. Sempere contribui ainda mais para a ambientação literária gostosa da trama ao levar o Daniel para o Cemitério dos Livros Esquecidos; um acervo labiríntico cercado de mistério que une e dá nome a toda a coleção de exemplares da Série. Tudo isso para que ele se esquecesse, no seu aniversário de onze anos, de que o rosto da sua mãe falecida se apagava da memória. Lágrimas mil para o Sr. Sempere pela calmaria que ele transmite e por essas atitudes foférrimas. 

 

5- Ned Stark e Craster

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Papais não podem perder a cabeça!

Personagem de destaque em As Crônicas de Gelo e Fogo, do genocida literário George R.R.Martin, Ned Stark é uma figura honrada e muito respeitada pelos seus pares. Pai de cinco filhos e de um bastardo divo que ele cria com todo o amor do mundo, Ned faz questão de transmitir bons valores à sua prole, apesar da época um tanto não propensa à honestidade. É um bom patriarca. Já Craster, por outro lado, também tirado dessa mesma obra, é um selvagem escroto e tarado que faz de esposas as suas próprias filhas, netas, e por aí vai… Os nascidos homens, em sua casa, são assassinados de pronto para não desperdiçarem suprimentos quando nada de vaginal têm a oferecer. É um velho nojento que, infelizmente, ilustra muitos pais abusivos que deveriam apodrecer atrás das grades.

 

6- Peter Simon e Charlie Swan

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Vampirismo? Nada! Minha netinha cresce em dias à base de farinha láctea!

Peter Simon é o pai da Suze em A Mediadora, da escritora Meg Cabot. Apesar de ter falecido, ele se vale da mediunidade da filha para protegê-la, acompanhá-la e ensiná-la lições além-túmulo. Só sai do lado dela depois de ajudá-la a resolver as suas adversidades mais complicadas; é um lindinho. Quanto a Charlie Swan, o pai da Bella (adormecida e de boca entreabertazzzzZZZzzz) da série Twilight/Crepúsculo, da autora Stephenie Meyer, só não vou soltar um palavrão por mero rito de educação. Mas santa lerdeza, hein, bigode! Ê homem cego! É policial, mas não percebe as companhias estranhas com quem a filha anda. Se diz superprotetor, mas não percebe que autoriza que a garota seja um banquete ambulante no próprio círculo social. É tão mente de corno que nem acha anormal (de modo convincente, né! Pigarro e risinho não cabem em uma situação que exige um quase estado de choque!) que a neta bizonha cresça em dias o que deveria crescer só em anos. Sério… Esse homem sabe de verdade, em algum momento, o que se passa na vida da própria guria? Se essa é a polícia de Forks, obrigada, Jesus, por eu morar no Rio de Janeiro. Não, pera… o avanço não é assim tão grande. Prêmio banana pra você, “pai Bello”. Tira uma foto com ele sob o bigode sensual e posta no instagram.

 

7- Tio Ben

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Com grandes postagens, vêm grandes curtidas, comentários e também compartilhamentos. Pode começar!

Pausa para divar ou, com todo respeito, para “manjar das putaria”, se for a versão do facebook. Tio Ben é o cara! Ele podia estar lá, na dele, curtindo morar sozinho com a sua boa e velha May, sob o efeitinho de um viagra, mas não! Ele é altruísta! Ele decide criar como um filho o seu sobrinho órfão, o Peter Parker (a.k.a. Homem Aranha). Aliás, quanto órfão nessa lista, né… É muita diveza mesmo a desses “não-pais-biológicos”. Trabalhadíssimo nas metáforas, o Tio Ben sabia que, antes de morrer, deveria deixar todo um legado de lições preciosas para o seu Pete querido. A mais famosa delas, que sugere muito que o velho era malandro e tinha alguma noção sobre a mutação do Peter, é aquela sobre grandes poderes trazerem consigo responsabilidades igualmente grandes. Em um bônus “DeTona” para o leitores do meu livro Sinfonia – Destino Trocado #1, Marcos Vasconcelos, o pai do nosso protagonista Daniel (Dan), tem algumas características em comum com essa personagem: ambos conseguem pensar naturalmente fora da “caixola”, ambos são preocupados com as mensagens que transmitem para a prole, e, a pior das similaridades, os dois têm um desfecho prematuro e deixam saudades.

Este foi o especial cerejudo de Dia dos Pais. Quem gostou deve curtir/comentar/compartilhar esta bagaça para demonstrar o quanto apoia o nosso trabalho e, se possível, debater com a gente que pais fictícios faltaram na listinha. Botem a boca no mundo, gente (só, por favor, não babem!). Beijos de licor de cereja, porque hoje vale uma bebidinha pra brindar.

Curtam a nossa nova fanpage, se possível. Obrigada por terem lido! 

Marcele Cambeses, Autora da Saga Destino Trocado, escritora amadora com convicção e jurista a contragosto. Tenho um abismo por inteligência e visões de mundo inovadoras; sou apaixonada por boas metáforas. Por ser também autocrítica por natureza, vivo em eterno quebra pau com os meus botões: “por que eu fiz esta bio horrorosa?!”

4 Comentários

  1. Marcela Paiva disse:

    Confesso que ando por fora de alguns desses papais ai… Mas tio Ben é sempre divo. Craster é asquerozo e Ned é o pai que todo mundo quer ter. Nunca assisti a procura da felicidade do começo ao fim, mas como amo o will smith e pelo pouco que vi do filme, já sei que amo. Talvez meu favorito dentre todos.
    Conheço outros três pais na lista, mas tô com preguiça de comentar sobre KKKKKK

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    Marcele Cambeses

    HAHAHAHAH preguiça é pecado capital, ok? Vamos pro inferno juntas :(

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  2. Letícia Cavalcante disse:

    Ned, Sr. Sempere, Sirius, Mr. Bennet, Chris, Tio Ben <3
    Só amor.

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    Marcele Cambeses

    Também acho <3 . Um show de divos na listinha.

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