Resenha: Híbrida

híbridaAutoria: Mari Scotti

Edição: Novo Século

Nota: 4 estrelas

Sinopse: Por toda vida Ellene teve a sensação de ser diferente de seus irmãos e dos moradores de sua vila, pois não adquiriu características de lobisomem como era esperado, e afastava-se cada vez mais desta natureza. Com um espírito rebelde, resolve desvendar o passado em busca de sua verdadeira origem. O que não planejava era entrar no meio de uma rixa entre vampiros, a raça que aprendeu a temer e odiar desde menina. Para piorar, seus pesadelos voltaram: sonhos com um homem misterioso de olhos ameaçadores, envolvido por uma densa neblina. Há quase cem anos a rainha dos vampiros fora sequestrada e seu marido, Milosh, desde então busca incessantemente encontrá-la. O tempo é escasso e as autoridades do Conselho desejam eleger um rei omisso e cruel em seu lugar. Na tentativa de tardar a mudança, ele se une a maior inimiga da rainha. Qualquer erro pode condená-lo a morte e subjugar todos os seus iguais. Ellene e Milosh mal sabem que o que buscam os colocará frente a frente, em uma trama de intrigas, poder, amor e ódio.

Avaliação: [Essa resenha pode conter alguns spoilers] Às vezes, quando se pega um livro novo para ler, sem ter ido atrás de outras resenhas ou opiniões, você acaba concebendo uma ideia de como este livro será baseado apenas em sua sinopse. Esse foi o meu caso com Híbrida, o qual imaginei como talvez um outro livro em que o provável romance entre os dois personagens mencionados na sinopse ofuscaria toda a dimensão que cerca a história ali escrita. E eu fico muito feliz em dizer que estava enganada.

Nesta breve introdução da série Neblina e Escuridão, somos apresentados aos dois personagens principais: a primeira, é Ellene, uma garota cuja criação faz com que ela acredite piamente que é uma loba, ainda que mesmo depois de tanto tempo ter se passado, não tenha tido a sua primeira transformação. Após os pais contarem a parte que sabem sobre suas origens e lhe entregarem um relicário que pertenceu a sua mãe biológica, ela começa a investigar junto com seu amigo-quase-mais-que-isso, Tomás, sobre a identidade dela e o porquê de ainda não ter virado uma loba como os outros jovens de sua vila. Apesar de crer ser uma espécie diferente de lobo, ao longo das páginas fica bem claro que não é nada disso; o segundo é Milosh, um vampiro, guardião e companheiro da desaparecida rainha dos vampiros, Elizabeth, que ainda procura por ela, quase 100 anos após o seu sequestro e que – em algo que só pode ser considerado loucura – decide que é uma boa ideia usar sua antiga amante, Heidi, para personificar a rainha (já que ela tem uma habilidade de criar a ilusão quanto a sua aparência).

Bem, você se pergunta, o que esses dois personagens tem em comum? Primeiro, eles parecem estar ligados um ao outro, uma vez que ambos tem misteriosos encontros quando sonham. Mas vai além de apenas isso: o relicário deixado por sua mãe foi feito por ele!

Híbrida é um livro bem tranquilo de ler: a história tem um ritmo bem constante e, quando chega no fim, acelera até que você simplesmente acabou. A narrativa em terceira pessoa segue ambos os personagens – Ellene, nos capítulos pares, Milosh, nos ímpares – o que é uma forma inteligente da autora para ter sempre algum tipo de movimentação na trama.

Apesar de pegar um tema já conhecido (vampiros e lobisomens), a autora soube encontrar seu equilíbrio para a história. Os vampiros são regidos por uma monarquia, tem suas próprias leis, convicções e poderes; os filhos destes com humanos tem suas características próprias, que podem ajudar a reconhecê-los, uma vez que eles supostamente não deveriam existir (tanto Ellene, quanto Heidi são híbridas: a “ruivice” é a característica física mais marcante; e elas também podem andar na luz do dia e tem poderes vampíricos, apesar de serem mais fracas). Já os lobisomens vivem à parte, em comunidades, onde um líder toma conta de toda a matilha, e durante a adolescência, eles passam por suas transformações, que é quando viram pela primeira vez, lobos.

“Ele tocou‑lhe o rosto com as costas da mão e virou a palma quente roçando os dedos longos em seu pescoço até se enroscarem nos cabelos ruivos de Ellene. Ela mordeu o lábio inferior com força, pois aquilo deixava seu estômago gelado, mas não de um jeito bom.Página 32.

Talvez, a única coisa que tenha me incomodado mais na trama foi um certo tipo de “inocência” em ambos os principais: de um lado, Milosh foi um tanto permissivo em tomar uma decisão perigosa e em se permitir seduzir pelos encantos de alguém que obviamente não era sua esposa e sim sua antiga amante. Em alguns momentos, parecia que ele não queria mais reencontrar Elizabeth; mais do que marido, ele era seu guardião e aquilo deveria ser sua missão, certo? Então, do outro lado, Ellene, que ainda que possa arrancar a verdade nos pensamentos de seus pais, prefere acreditar em algo que absolutamente é uma mentira. Mesmo com tantas pessoas achando que ela é uma vampira, a insistência de que não é parece grande o bastante para fazer com que eu quisesse dar uns tapas nela e falar “fia, para de se iludir!”. Em compensação, ao descobrir o que é, ela parece levar muito “na boa”, sendo que basicamente os polos do mundo dela se inverteram. Do outros personagens, além de Tomás, que conseguiu despertar um sentimento de pena em mim graças ao seu relacionamento unilateral com Ellene, não há muito que se dizer, não houve muita chance de conhecê-los, uma vez que o foco foram os dois principais, mas talvez, nos próximos volumes…

Um outro detalhe é que alguns mistérios ainda não foram resolvidos, o que me deixaria irritada se não fosse o primeiro de vários, mas que ajuda a curiosidade pelo próximo volume. Híbrida é realmente uma introdução, é o prólogo da série que se encontra mais em uma forma de situar a trama e os personagens para o que ainda vem por aí.

A edição é da Novo Século, pelo selo Novos Talentos e (como ressaltou a minha irmã) tem uma capa muito linda.  Apesar de suas quase 400 páginas, a diagramação é bem espaçada, o que no fim das contas, faz parecer que se está lendo super rápido.

Enfim, eu indico para quem goste do gênero e quem ainda não conhece. Garanto: é uma ótima surpresa.

Verena Belfort, Beta-reader oficial da Saga Destino Trocado, "deusa serrana" e idealizadora de um zilhão de projetos literários que me tornarão a escritora amadora mais atarefada no futuro. E sim, essa bio é uma linda piada.

5 Comentários

  1. Nem preciso dizer que estou SUPER curiosa pra ler Híbrida. A Mari é uma fofa e o livro parece ser super bem embasado e contextualizado. Assim que puder, lerei também.

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    Mari Scotti

    Espero que goste Marcele!

    [Responder]

    Marcele Cambeses

    Você me fez ficar ansiosa por uma história de vampiros, que é algo que eu não costumo dar muita bola, menina. Isso já é magia pura hahaha. Sei que vou gostar. :)

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    Mari Scotti

    Opaaaaaaaaa, ai que fico mais ansiosa ainda. É um desafio fazer quem não curte gostar do nosso livro! *-* espero te surpreender.

    beijo

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  2. Mari Scotti disse:

    Verena! Estou muito feliz com a resenha, mesmo com os pontos negativos que você ressaltou, tudo isso mostra que prestou atenção à leitura e eu adorei notar isso na resenha.
    “ela começa a investigar junto com seu amigo-quase-mais-que-isso, Tomás, sobre a identidade”. Tadinho do Tomás! Adorei a forma que identificou ele! Disse tudo! *-*
    Sobre eles parecerem inocentes: eu concordo. Mas tudo tem explicação, talvez não tenha notado porque deixo bem implicito na trama. Nos próximos volumes deixo mais claro.
    Sei que falhei em alguns detalhes por não ter conhecimento de trama, continuidade, etc, mas estou me aprimorando e resenhas assim me ajudam a focar nas falhas para corrigir, obrigada!
    Obrigada a sua irmã pelo elogio à capa!
    Amei o capricho na resenha!

    Beijão, Mari Scotti

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