Vem aí: Mocassins & Allstars

mocastarAutoria: Clara Savelli

Editora: Com-Arte

Sinopse: Depois da morte de seu pai, Julie e sua mãe deixam a movimentada Nova York e se mudam para Monterey, lar da avó materna que ela ainda não tinha tido a chance de conhecer. Ela frequenta as aulas no colégio mais caro e puxado da cidade. Pra não comentar sobre os estudantes preconceituosos e superficiais. Aos poucos arruma grandes amigos, mas infelizmente o pacote vem com alguns inimigos. Tudo culpa de Arthur, que coloca Julie em furadas desde o dia que ela coloca os pés na escola. Entre mistérios, brigas e romances, Julie descobre algo sobre sua avó que muda o rumo de todas coisas. E tudo que ela queria era terminar o ensino médio e comprar uma moto. Mas a vida não poderia facilitar tudo pra ela, poderia?

Do que se trata: Não é segredo para ninguém que eu frequentava comunidades de webnovelas no orkut e que, inclusive, foi lá que construí a maior parte do meu grupo de leitores. Então, sei bem que a impressão de muitos sobre nessa rede social só ter havido amadorismo e histórias irrelevantes não poderia ser mais errada. Muitos jovens autores despontaram de comunidades como as de que fui parte: Só Webs, The Best Webs, Webnovelas Fantastic, Nossos Romances Adolescentes, etc. Membro da última mencionada, foi por ter uma trajetória tão parecida com a minha que eu me aproximei naturalmente da autora Clara Savelli, mente por detrás da obra de que falarei agora.

Sucesso marcante da NRA, Mocassins e Allstar é um romance adolescente que conta a história de Julie Kremman. Uma estudante sênior (ou, no Brasil, o equivalente a uma vestibulanda) que, após a morte do pai, é obrigada a trocar Nova York pela pacata Monterey, onde mora a sua avó Lucy. Logo na primeira página, algumas coisas saltam à nossa percepção: 1- a Julie se sente desenquadrada, como é comum nas personagens novatas de tramas sobre o high school americano. 2- a sua narrativa é repleta de devaneios e deboches, o que costuma me agradar por motivos de amor à trollagem literária. Gosto de demonstrações de personalidade em narradores, me processem. 3- ela é daquelas que botam, sem qualquer motivo, a culpa dos seus infortúnios nos outros, que nada tem a ver com os problemas dela.

É assim que ela conhece, a propósito, o mocinho da trama, Arthur Torrez. A partir daí, se sucede uma cadeia de acontecimentos que originalizam, de alguns modos, uma premissa que todos nós já conhecemos muito bem. Eu, particularmente, não tenho nadinha contra o clichê. Sou mais fã do “como” e do “porquê” do que dos fatos em si, se é que me entendem. Enfim, como se trata de um futuro lançamento, achei melhor contar para quem se destina o livro e o que mais me chamou a atenção nele ao invés de fazer uma resenha propriamente dita, marcada de subjetividades (e piadinhas que só quem leu entenderia, como de costume – risos). Espero que gostem dessa novidade, vamos lá.

A quem se destina: antes de mais nada, deixarei claro que estou apenas revelando qual parece ser o público-alvo do enredo, jamais restringindo quem deve lê-lo ou não. Bom, com base na leitura, ficou bem claro pra mim que a Clara quis atingir os adolescentes mesmo. Mocassins e Allstars, do meu ponto de vista, não possui grandes complexidades fáticas ou psicológicas que densifiquem a sua história, pelo contrário. Até mesmo o plot dramático que possui é contado com a leveza característica de livros jovens. É feito sob medida para quem quer se distrair e suspirar um pouquinho com umas doses de ficção romântica. O objetivo é o entretenimento.

O que mais me chamou a atenção: Com certeza, a escrita da Clara. Porque ela flui muito bem, o que significa que o número de páginas não vai dificultar a rapidez da sua leitura. É realmente algo bem leve e rapidinho, no geral. Não soa picado ou arrastado em nenhum momento, de um parágrafo para o outro. Também é perceptível a habilidade da autora em fazer com que o leitor visualize os acontecimentos descritos. E isso é sempre um ponto a favor da dinamicidade com que tudo acontece. Outra coisa em que eu reparei, é claro, é que em muitos trechos o enredo quis estabelecer algum contato com o lendário Orgulho e Preconceito da Jane Austen. Como fanática por clássicos ingleses, isso me deixou meio cabreira, porque eu costumo ser bem “apenas observando o que você vai fazer com o meu ídolo” em relação a qualquer tentativa mínima de remake. E vocês já viram na minha resenha sobre Tess of the D’Urbervilles, em que mencionei o que o 50 Tons de Cinza fez com ele, que nem sempre essas referências são do meu agrado. Enfim, abrindo uma leve seção subjetiva aqui, (que eu disse que não ia abrir, mas eu nem sempre me obedeço – risos) em Mocassins & Allstars, nada disso me incomodou, apesar de eu também não ter visto grandes similaridades onde teoricamente as tramas “deveriam” se tocar. Foi a impressão que eu tive. De resto, sobre o todo, acho que, se você é fã desse gênero literário, pode comprar e julgar por si só 😉 .

Resumindo, se você gosta de high school americano, romance adolescente e fluidez narrativa, essa obra pode ser o que você procura. O lançamento ainda está sem data, pelo que sei, mas é cogitado para sair ainda em maio. Espero vocês lá.

 

Marcele Cambeses, Autora da Saga Destino Trocado, escritora amadora com convicção e jurista a contragosto. Tenho um abismo por inteligência e visões de mundo inovadoras; sou apaixonada por boas metáforas. Por ser também autocrítica por natureza, vivo em eterno quebra pau com os meus botões: “por que eu fiz esta bio horrorosa?!”

Resenha Esquizofrênica 2- O Coração da Magia

cdmAutoria: Larissa Siriani
Edição: Literata
Nota: Inserida no corpo do texto conforme as regras do especial Resenhando com Tibico, já que ele participa desta análise. (Confira aqui).
Sinopse: Apenas alguns meses após os macabros incidentes em Oxford, tudo é paz na vida de Malena Gördon, agora sem magia; ou não? Seus poderes começam a retornar lentamente e, antes que ela tenha tempo de se habituar novamente a eles, um incêndio bem no dia de seu aniversário destrói a Casa Azul. O terreno onde costumava erguer-se a mansão de suas antepassadas passa a ser o novo lar de uma estranha tribo de ciganos, e com eles um mar de perguntas sem respostas, lendas seculares e uma ameaça que poderá destruir a humanidade. E até onde Malena irá para proteger o Coração da Magia de cair em mãos erradas?

Avaliação: E, depois de um hiatus desgraçado, estamos de volta com mais uma resenha de livro nacional. Ou melhor, da continuação da insanidade que fizemos para analisar a obra As Bruxas de Oxford, da Larissa Siriani. Para tanto, é óbvio que veio ralar aqui comigo o nosso príncipe ébano, negritude fierce, Tibico Antunes. Desabrocha no holofote aí, bofe, que nem uma flor de cerejeira pro Japão sentir orgulho.

Ui ui ui, sou Sakura e me liberto! Adoro. Olá, povo do meu tumtum. Como vai a vida? Eu estou radiante depois dessas férias, com a cútis descansada, e pronto para soltar o verbo sobre a continuação das aventuras de Malena, a aprendiz de incendiária. E por que eu a presenteei com esse subtítulo Sabrinesco, versão pirotécnica? Aguardem e verão, eu já vou comentar, hihihi.

Nesse novo volume, O Coração da Magia (negra, porque só dá macumba braba nesse enredo. Os Iluminatti tão vendo isso aí. Acorda, Brasil), tudo começa com uma crise existencial dessa gata translúcida que a gente ama acompanhar. E quando eu digo crise, é crise mesmo, gentein. De deixar a de 29 recalcada por não ter brilhado mais. Uma delícia! Acontece que, depois daquele final literalmente matador, o remorso casou com a Lena e, juntos, eles pariram uns pesadelos. Pois é. Sabe quando você vê filme de terror de madrugada e depois fica se cagando, com medo de que um morto deite contigo de conchinha e diga que tava com saudades? Foi mais ou menos isso. Não foi, Celouca Celoira?

É… tirando todo esse romantismo do defunto, foi por aí, Tibi. Bem por aí. Na verdade, a partir do desfecho de As Bruxas de Oxford, vemos a protagonista imergir em uma realidade paradoxal por natureza. Isso porque, ao mesmo tempo em que a Malena sente um remorso absurdo de tudo o que teve que fazer para salvar a sua vida e a de Sam, ela também sente muita falta do que abdicou em troca da concretização desse objetivo: a magia. Porém, sabemos desde a última cena do livro 1 que, na verdade, as coisas não aconteceram exatamente como ela acreditava. E isso fica muito claro um pouco antes do aniversário dela. Vai, Tibico. Pode emendar daqui que eu sei que você está morrendo para falar dessa parte.

anigif_enhanced-buzz-22484-1385054154-5“Hm. Finalmente estou tendo um sono tranqui… SAAAAAI EXU!

É claro que eu estou, ora! Sabe por quê? Porque esse trecho do livro prova que além de lindo, negro, fashion e jurista, EU SOU UMA POMBA-GIRA! Me chamem de Mãe Tibiná porque várias teorias minhas que sambaram na resenha anterior estavam corretas. Realizei um sonho de vida! Enfim, preciso conter o riso pra comentar. HAHAHA. Tá, acho que foi. Bom, lá estava Lena na sua “nada mole vi… zzzZZZzzz”, entediada, pensando em como era mais difícil ser sedentária sem poder mandar um Accio e obrigar os objetos a irem até ela. Então, depois de muitos testes frustrados e evocações à Dorothi que em nada resultaram, ela concluiu que as coisas não flutuavam não por uma questão de Leviôsa ou Leviosá, mas sim por conta da oferenda mágica que ela fez ao Senhor das Almas. Aquela “oh baby, me leva”, em que ela oferecia a própria vida e a magia em troca de que o Sam sobrevivesse e aqueles Cruz Credo que ela chamava de irmãs de alma morressem ali mesmo. #NãoTeveXurras #ComiPãoPuro #NãoEraFriboi

Porém, após uns episódios muito suspeitos e dignos do Doutor Xavier, eis que aconteceu de novo HAHA. Simplesmente, Malena acordou naquela vibe Buarquete “o tempo passou na janela e só Carolina não viu”, e descobriu que mais uma vez o seu encosto pessoal havia tomado o domínio do corpo por sei lá quantos dias para fazer uns servicinhos.  Pausa Baphônica: apenas morri com os relatos do Sam sobre como ele descobriu que o comando estava com a Dorothi e não com a sua namorada comportadinha nessa fase. HAHA. É isso mesmo, povildo povaldo. Rolou saliência, bateu inveja em minzinho. Estou aqui inconformado com o meu azar de ser alter-ego de alguém cuja vida amorosa está apta a se tornar um cenário de filmes sobre o faroeste. Não dá nem pra executar a dica dada no enredo. Olha essa seca, Cambesita! Fico no aguardo dos cowboys pra montaria, ui ui ui.

eyefive“Cadê a Dorothi?” “Hey, Malena! Eye-five, cumprimento fura-olho”

Em todo caso, retomando o papo, a Malena volta, fica sabendo das sacanagens e também é informada que a sua amiga do peito, Dodô, aquela linda, havia transformado a sua festa de niver em um arraiá. ~Fim de semana de novo, eu to no meio do povo, a maior curtição~. Se ela achou tudo muito estranho? Claro. Se ela ficou irritada por terem pedido em seu nome uma fogueira gigante pra decoração da festa? Evidente. Todavia, na ânsia de “olhar a cobra” e comprovar que os pegas do Sam não eram nada de mentira, a safada chutou o balde, mandou um “let it be” e foi hahaha se pegar com ele no cantinho hahahah, nem aí pro resto do mundo. Ta certíssima hahaha. Ai, tenho que me controlar nessa parte, hahaha. Respirei. Continue lendo…

Marcele Cambeses, Autora da Saga Destino Trocado, escritora amadora com convicção e jurista a contragosto. Tenho um abismo por inteligência e visões de mundo inovadoras; sou apaixonada por boas metáforas. Por ser também autocrítica por natureza, vivo em eterno quebra pau com os meus botões: “por que eu fiz esta bio horrorosa?!”