Texto: Epitáfio Passional

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Roto papel em branco, extremidades puídas que o deleitavam outrora. Amargor úmido de tanto pranto, e chorou tanto que ruiu em cólera. Aos poemas, negros versos, dedicatória teve fim. Em um meio sorriso me disperso, avessa a crer em um nós sem mim. E os chumaços de passado esfumaçaram em meu quinhão. Expiro a dor em mais um trago pelas certezas que não mais serão. Se sinceridade é primazia, cruel destino na derrocada. As cartas velhas e o violino restaram gastos dessa caminhada.

Veja, amor, que desapego daquele ser que se jurava meu. Página virou de tanto medo de que a cara-metade não fosse eu. Eterna chama viu-se em cinzas, cinzeiro de sonhos a quem manteve o ardor. E o codinome é a minha sina a despistá-lo, oh, professor. Um grande quadro de mentiras, falácia em grade curricular. Deus perdoe a vil audácia de usar em vão o verbo amar. Ensinamentos à menina a quem amor ele prometeu. De mais de três anos de dopamina, o amado mestre agora morreu. Já que o arrependimento não mata…

Um último beijo da não mais namorada, para não dizer que houve falta de adeus…

Marcele Cambeses, Autora da Saga Destino Trocado, escritora amadora com convicção e jurista a contragosto. Tenho um abismo por inteligência e visões de mundo inovadoras; sou apaixonada por boas metáforas. Por ser também autocrítica por natureza, vivo em eterno quebra pau com os meus botões: “por que eu fiz esta bio horrorosa?!”

Resenha: Híbrida

híbridaAutoria: Mari Scotti

Edição: Novo Século

Nota: 4 estrelas

Sinopse: Por toda vida Ellene teve a sensação de ser diferente de seus irmãos e dos moradores de sua vila, pois não adquiriu características de lobisomem como era esperado, e afastava-se cada vez mais desta natureza. Com um espírito rebelde, resolve desvendar o passado em busca de sua verdadeira origem. O que não planejava era entrar no meio de uma rixa entre vampiros, a raça que aprendeu a temer e odiar desde menina. Para piorar, seus pesadelos voltaram: sonhos com um homem misterioso de olhos ameaçadores, envolvido por uma densa neblina. Há quase cem anos a rainha dos vampiros fora sequestrada e seu marido, Milosh, desde então busca incessantemente encontrá-la. O tempo é escasso e as autoridades do Conselho desejam eleger um rei omisso e cruel em seu lugar. Na tentativa de tardar a mudança, ele se une a maior inimiga da rainha. Qualquer erro pode condená-lo a morte e subjugar todos os seus iguais. Ellene e Milosh mal sabem que o que buscam os colocará frente a frente, em uma trama de intrigas, poder, amor e ódio.

Avaliação: [Essa resenha pode conter alguns spoilers] Às vezes, quando se pega um livro novo para ler, sem ter ido atrás de outras resenhas ou opiniões, você acaba concebendo uma ideia de como este livro será baseado apenas em sua sinopse. Esse foi o meu caso com Híbrida, o qual imaginei como talvez um outro livro em que o provável romance entre os dois personagens mencionados na sinopse ofuscaria toda a dimensão que cerca a história ali escrita. E eu fico muito feliz em dizer que estava enganada.

Nesta breve introdução da série Neblina e Escuridão, somos apresentados aos dois personagens principais: a primeira, é Ellene, uma garota cuja criação faz com que ela acredite piamente que é uma loba, ainda que mesmo depois de tanto tempo ter se passado, não tenha tido a sua primeira transformação. Após os pais contarem a parte que sabem sobre suas origens e lhe entregarem um relicário que pertenceu a sua mãe biológica, ela começa a investigar junto com seu amigo-quase-mais-que-isso, Tomás, sobre a identidade dela e o porquê de ainda não ter virado uma loba como os outros jovens de sua vila. Apesar de crer ser uma espécie diferente de lobo, ao longo das páginas fica bem claro que não é nada disso; o segundo é Milosh, um vampiro, guardião e companheiro da desaparecida rainha dos vampiros, Elizabeth, que ainda procura por ela, quase 100 anos após o seu sequestro e que – em algo que só pode ser considerado loucura – decide que é uma boa ideia usar sua antiga amante, Heidi, para personificar a rainha (já que ela tem uma habilidade de criar a ilusão quanto a sua aparência).

Bem, você se pergunta, o que esses dois personagens tem em comum? Primeiro, eles parecem estar ligados um ao outro, uma vez que ambos tem misteriosos encontros quando sonham. Mas vai além de apenas isso: o relicário deixado por sua mãe foi feito por ele! Continue lendo…

Verena Belfort, Beta-reader oficial da Saga Destino Trocado, "deusa serrana" e idealizadora de um zilhão de projetos literários que me tornarão a escritora amadora mais atarefada no futuro. E sim, essa bio é uma linda piada.