Sobre

Quem sou eu? É difícil dizer… Pessoalmente, no momento, acho que sou alguém que está bastante incomodada por ter que escrever sobre si mesma quando, no íntimo, sente que a falta de imparcialidade e de autoconhecimento profundo sempre irão comprometer a credibilidade do texto. Bem, mas se é pela informação, vamos tentar (risos)…

Eu me chamo Marcele Cambeses (Martins), sou carioca, nasci em 12 de março de 1991 e já me sinto velha só de fazer força para relembrar qualquer conquista relevante que tenha feito na minha vida. São mais de duas décadas nas costas, afinal, né! (Cheguei a ver TV Manchete…). Acho, no entanto, que, pelo teor do site, vocês devem estar interessados somente no que diz respeito à arte e à minha escrita, certo? Então, vamos pular aqueles momentos mágicos em que aprendi a usar o trono ou a andar de bicicleta. Adiantemos a fita!

Eu nunca fui uma leitora assídua quando criança. Acompanhava Harry Potter, lia os livros extraclasse, mas, fora isso, no geral, permanecia bastante alheia ao universo literário. Nada dizia, no meu passado, que as artes viriam a se tornar a paixão mor da minha existência. Ou, ao menos, era isso o que eu achava até então… Logo na primeira série primária, eu comecei a escrever os meus rabiscos: preenchi ao longo dos anos um caderninho de poesias com alguns versinhos (clichês e super melosos) que eu ia criando como um passatempo e, bastante aos poucos, comecei a gostar das aulas de redação. Acontece, leitor (a), que, dos quatro aos dezoito anos, eu tinha a ambição de me tornar juíza e nunca imaginei que, um dia, fosse escrever um livro e odiar o Direito com toda a fibra do meu ser. Porém, foi o que ocorreu no fim. (trágico para o meu bolsinho…)

Desde os meus cinco anos, eu moro na Ilha do Governador, aqui no Rio de Janeiro, e só estudei em dois únicos colégios (até o CA não conta – risos) insulanos antes de ir para UERJ. No primeiro, que me acompanhou até os quatorze, eu pude exercitar o meu hobby literário das mais diversas formas: escrevi dois scripts para trabalhos de casa (dentre eles, um selecionado para a feira ambiental do colégio, em que eu encenei uma megera rica, fresca e poluidora – risos), ganhei um concurso de redação na sexta série, compus músicas (bobas) pros casinhos adolescentes das minhas amigas desde os onze anos e, com a mesma idade, criei também a primeira metade de uma paródia (da música “Já sei namorar” dos Tribalistas) sobre o uso das drogas, que vim a completar somente em 2008 para utilizar no livro Sinfonia. Enfim… O tempo passou e eu encerrei a minha jornada em tal escola como oradora na formatura da oitava série, em que usei de discurso o meu poema “Amizade” para prestigiar os meus colegas e amigos queridos de tantas turmas. Cheguei também a fazer anos de aula de canto nessa época, mas problemas vocais posteriores e sequelas oriundas de uma cirurgia de extração de siso me fizeram parar de cantar (a não ser no chuveiro e nas gravações quebra-galho das minhas músicas porque eu não sou rica para pagar cantores – risos. Gravei só para os leitores terem a ideia de como elas são).

Em 2006, virei aluna nova do Colégio Paranapuã, que é bem pertinho de onde eu moro, e eu não tinha a menor ideia de que viveria lá alguns dos acontecimentos mais marcantes da minha vida. Logo no primeiro ano do Ensino Médio, eu voltei a compor as minhas musiquinhas dispensáveis (dentre elas, duas do Sinfonia: Make up your mind e Because I Want, sendo esta última a que reformei em 2012 para virar a Who I am do livro) e a me ocupar com os meus textículos e redações. Até aí, tudo igual… É o que parece! As diferenças estavam nas entrelinhas (ou melhor, nas linhas que eu fazia). Em uma guinada bastante brusca de ideologia, a idade e a maturidade (espero) me conduziram a substituir o “mela mela” por textos mais sérios e mais sociais: o hobby através de que, antes, eu rabiscava sobre amorzinho e fofuras açucaradas, passei a utilizar para questionar a sociedade, quem eu era e até mesmo a refletir sobre as minhas próprias imperfeições. Agora, durante esta retrospectiva sobre a minha trajetória “literária”, aliás, não tenho a menor dúvida de que o Paranapuã foi mais do que fundamental para o meu amadurecimento. Isso porque foi lá o lugar em que conheci e aprendi com a minha ex-professora (mentira, eterna…) Márcia Braz.

A princípio, não entendi ao certo o porquê de aquela docente de português, literatura e redação ser tão mais rigorosa (e apaixonada pelo o que ensinava) do que todos os outros profissionais com que tive contato nos anos de escola. Depois, passado o estranhamento inicial de ter alguém no meu pé e abaixando as minhas notas por cada vírgula mal colocada (literalmente…), eu pude me dar conta de que havia encontrado um daqueles mestres a que nós assistimos nos filmes, que surgem para inspirar e transformar por completo as perspectivas do aprendiz. Pena não ter acreditado na previsão dela de que o Direito não era pra mim… Em todo caso, parei três vezes no Livro de Ouro do colégio com alguns dos meus deveres, fui finalista duas vezes de um concurso local de redação (o Tia Berê), compus “Liquidação de Mentiras”, “Vida de Frango com Farofa” (ambas do Sinfonia) e, mais importante do que tudo isso, comecei a ter uma prévia de quem eu era de verdade em um episódio que aconteceu no meu vestibular: um texto velho e abandonado na primeira página foi reencontrado por mim dois anos depois de criado e fez questão de transformar a minha vida em um punhado de sonhos lindos e incertezas. O nome dele? Destino Trocado! (irônico, não? Tinha que vir para mudar tudo, esse safado!)

E o que aconteceu nessa fase? Bem, para ser sincera, posso dizer que eu surtei. De verdade… Estudava tanto para realizar o sonho equivocado de passar para a UERJ, que precisei urgentemente de uma válvula de escape para extravasar; a DT foi ela… Simplesmente, quando me dei conta, aquele renegado que eu odiava tanto se tornou um xodó não só para mim, mas também para as minhas amigas mais próximas. E a coordenação não gostou nada dessa ideia de eu resolver me distrair (e os outros!) em pleno vestibular para Direito. Apoiada pelos meus pais, então, a coordenadora (e queridíssima até hoje, Lourdes Pereira) combinou comigo que eu só poderia escrever às sextas-feiras após as aulas (já que a abstinência total não havia dado certo…). Acabou que, no fim, eu consegui passar nos processos seletivos das faculdades de Direito e, no meu primeiro período, em maio de 2009, concluí a versão antiga da obra Sinfonia.

Eu mal havia começado a me conhecer e a me estrepar…

Ao primeiro contato, eu odiei o Direito. Ao segundo, terceiro (e por aí vai até o nono; período em que me encontro na data de composição deste about) também! Decidi investir, portanto, paralelamente, naquele amor descoberto no Ensino Médio pela literatura: tive um blog para postar Sinfonia; em seguida, migrei para a Só Webs (onde tive dois recordes consecutivos de postagens do mesmo), construí o meu público querido (os DeTonas s2) e conheci muitas das melhores pessoas com quem tive a honra de fazer amizade através da minha obra. Isso não tem preço!

Em 2012, fiz também dois cursos de férias na CAL, a famosa Casa das Artes de Laranjeiras: os módulos introdutórios de dublagem e roteiro, a que pretendo dar sequência. Conheci a admirável Mabel Cezar (dubladora/professora de dublagem), que recomendou que eu investisse na dublagem, e a segunda Márcia a me ensinar coisas preciosas: a Márcia Zanelatto, minha professora de roteiro. Por essas aulas, eu tive a confirmação de que as artes faziam parte de mim, não importava o quanto eu negasse (os testes vocacionais e os mapas astrais que me contaram antes ririam agora do meu ceticismo, se fosse possível… Fazer o quê?). Esse é o resumo…

Hoje, estou bem mais perto de me tornar bacharel em Direito (alforria, viva!) e um tanto mais longe de conseguir prever de fato onde estarei no futuro. Sei que pretendo fazer concurso para garantir um ganha pão, fazer mais cursos literários (de dublagem e teatro também, assim que der), possivelmente uma segunda faculdade (desta vez, adequada ao meu gosto. Quem sabe produção editorial, ou cinema, ou formação de escritores? Não sei ainda!) e, claro, batalhar com cada fibra do meu ser pelos meus monstrenguinhos (livros). Tudo o que eu quero é uma oportunidade de ser feliz e trabalhar com o que eu gosto de fazer. Como oportunidades se criam, estou tentando construir a minha e descobrir qual é o caminho. O futuro dirá…

Sobre a literatura, o que posso dizer? Vivemos juntas agora, seja pelos meus projetos (que são muitos), seja pelas maravilhas alheias que absorvo a cada página de leitura (é, eu leio mais atualmente!). Sou fã dos clássicos ingleses (Dickens, Hardy, Austen, Wilde etc…), do Carlos Ruiz Zafón e torço para que, um dia, assim como eu me descubro em toda linha que eu leio, as pessoas possam vir a se conhecerem pelas minhas; a vida é uma estante cheia das mais variadas informações, espero oferecer as certas. Sonho igualmente em, com algumas amigas (também escritoras) queridas, poder montar uma editora que preze mais pela responsabilidade social e menos pelas modas vazias. Acredito que todo escritor tem uma função inexorável de transmitir uma mensagem. Se ela pode ser construtiva, por que desperdiçar um dom com alienações nocivas, não é? Espero não mudar nunca quanto a esse aspecto… E a escrita, que antes me era como uma amiga um tanto desvalorizada, parece ter se tornado aquela amante difícil a quem é preciso conquistar todos os dias. Será que eu vou ter as cantadas certas?