autoimagem

Texto: (De)forma

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Fonte: Weheartit

Como pode face tão simétrica não sustentar a leveza de um sorriso? O pranto expia, corta, expurga, mas não volatiza os sentimentos líquidos. E se, outrora, já fui tanto, hoje nada posso ser. Porque é o agir que faz sujeito, não viver sempre à mercê. Na ciranda dos meus passos, giro pro mesmo lugar. Meus desejos são escassos, não sei mais como sonhar.

Ora triste, ora alegre, insustentável condição.

Desta alma que lhe escreve, aqui vai um novo não.

Não às sedes e caprichos com que um dia me rendeu. Não ao mudo, ao submisso, a tudo que não era eu. Não às formas, não às rimas, porque não sou mutável assim. Não às capas de revista que me tornam o pior de mim.

Uma olhada no espelho e, de joelhos, acabei. O bonito ficou feio, distinguir eu já não sei. Tento colocar pra fora o peso da minha incerteza. Torno a machucar a alma em que se esconde a real beleza. Ora magras, ora gordas, inalcançável perfeição. Mostruário de pessoas; só parecem, nunca são.

Destes cacos que lhe escrevem: não dá mais pra ser assim

É padrão, mas não procede: você é mais que um manequim.

Marcele Cambeses, Autora da Saga Destino Trocado, escritora amadora com convicção e jurista a contragosto. Tenho um abismo por inteligência e visões de mundo inovadoras; sou apaixonada por boas metáforas. Por ser também autocrítica por natureza, vivo em eterno quebra pau com os meus botões: “por que eu fiz esta bio horrorosa?!”